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A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo – FecomercioSP amplia sua atuação na defesa dos setores produtivos paulistas com a criação do Conselho do Comércio de Abastecimento (CCAB). O novo colegiado visa a fortalecer o diálogo e a participação de um segmento estratégico que afeta a vida de mais de 22 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo. 

O conselho tem como missão acompanhar os principais desafios do sistema de abastecimento e formular propostas que contribuam para o desenvolvimento do comércio. “Queremos identificar gargalos, analisar custos, preços, volumes e competitividade, além de oferecer subsídios qualificados ao poder público, ao Legislativo, à imprensa e à sociedade”, diz o presidente do CCAB, João Roberto Ferraro. 

Na pauta de trabalho do CCAB, figuram assuntos relevantes da atualidade: os impactos da reforma tributária sobre a cesta básica, o imposto seletivo, a modernização das centrais de abastecimento de alimentos e os entraves à importação, entre outros temas que afetam o abastecimento. 

Gargalos estruturais 

Durante a primeira reunião do CCAB, o assessor da FecomercioSP Thiago Carvalho discorreu sobre os principais desafios do abastecimento, como a insuficiência da capacidade de armazenagem da produção agrícola. O Brasil tem um déficit estimado de 130 a 135 milhões de toneladas de capacidade adequada de armazenamento, o que significa que uma parcela relevante da produção precisa ser comercializada logo após a colheita. Além de pressionar os preços em períodos de safra, essa limitação reduz o poder de negociação dos produtores e pode comprometer a rentabilidade de toda a cadeia. A eliminação desse déficit exigiria investimentos estimados em R$ 140 bilhões.

A infraestrutura logística é outro gargalo. A dependência do transporte rodoviário, os problemas de acesso e organização dos entrepostos e as condições estruturais como a do Ceagesp elevam os custos e dificultam a circulação dos produtos até o consumidor. Somam-se a isso as perdas provocadas pelo manuseio inadequado ao longo da cadeia, que podem superar 15% da produção. Modernizar a infraestrutura de armazenagem, transporte e distribuição, portanto, não é apenas uma questão de eficiência empresarial, mas também de redução de desperdícios e de impacto sobre o preço dos alimentos.

Carvalho falou ainda sobre a necessidade de aumentar a capacidade de resposta do sistema de abastecimento diante de crises e mudanças no cenário econômico. A pandemia expôs a vulnerabilidade de cadeias concentradas em poucos fornecedores e mostrou a importância de monitorar estoques, insumos e fluxos de comércio. Questões como tarifas de importação, tributação, regras sanitárias, licenciamento e formação de estoques estratégicos precisam ser analisadas de forma integrada, de modo a garantir segurança no abastecimento sem criar distorções de mercado. 


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