Segundo a Federação, o resultado reforça um cenário de inflação menos concentrada em choques sazonais e mais influenciada por pressões estruturais relacionadas às variações nos combustíveis, além dos custos logísticos e dos serviços de saúde.
O custo de vida na RMSP é acompanhado mensalmente pelo índice Custo de Vida por Classe Social (CVCS), produzido pela FecomercioSP. O indicador é composto pelo Índice de Preços do Varejo (IPV) e pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e avalia a variação dos preços de produtos e serviços em oito categorias que mais impactam o orçamento familiar. No quarto mês do ano, nenhum dos itens avaliados apresentou decréscimo.
Medicamentos lideram pressão sobre o orçamento
O reajuste nos preços dos medicamentos levou o grupo de saúde a avançar 1,56% no quarto mês do ano. O segmento respondeu, sozinho, por cerca de 0,20 ponto porcentual (p.p.) para o resultado geral. As maiores influências vieram dos aumentos nos preços de antibióticos (4,6%), hormônios (4,4%), anti-inflamatórios e antirreumáticos (3,8%) e analgésicos e antitérmicos (3,5%). Além desses itens, outros produtos farmacêuticos também registraram altas disseminadas no mês. As famílias de menor renda, em especial as pertencentes à classe E, foram as mais impactadas, com variação de 2%.
Alimentos e combustíveis mantêm custo de vida elevado
Outro grupo importante para o orçamento familiar, o de alimentos e bebidas, apresentou variação de 0,48%. O resultado foi influenciado pela alta dos cortes bovinos (como costela, contrafilé, chã de dentro, patinho e alcatra), além de produtos in natura, como tomate, cenoura, alho, cebola e frutas.
De acordo com a FecomercioSP, o movimento reflete o encarecimento recente da arroba bovina, que continua sendo repassado ao consumidor final. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos logísticos, estimulado pelos combustíveis, contribuiu para manter os alimentos pressionados nos supermercados. O ponto positivo é que a arroba vem registrando quedas sequenciais. Contudo, esse movimento ainda deve levar alguns meses para chegar ao consumidor final.
Queda nas passagens aéreas ameniza índice
Influenciado pela queda nos preços das passagens aéreas, que registraram retração de 11,9%, o grupo de transportes variou 0,18%. A redução nos preços dos tíquetes ajudou a conter um avanço mais intenso do grupo frente à alta dos combustíveis. A gasolina, por exemplo, subiu 1,8%, enquanto o óleo diesel avançou 3,1%.
No entanto, a FecomercioSP chama a atenção para o fato de que essa redução ocorreu mais por uma questão metodológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do que por um alívio efetivo nos custos das famílias. Isso acontece porque a captação de preços das passagens aéreas é realizada cerca de dois meses antes do mês de referência. Assim, os reajustes ocorridos em abril, principalmente após os aumentos expressivos do querosene de aviação, ainda não foram capturados integralmente pelo índice corrente.
Dessa forma, o reflexo mais intenso desse encarecimento deverá aparecer nos indicadores de junho e julho. Segundo a Entidade, como os combustíveis continuaram pressionando o orçamento da população, o arrefecimento observado no mês não representa, necessariamente, um alívio efetivo para o consumidor.

Já entre as famílias de renda mais elevada, chamaram a atenção as pressões mais intensas nos grupos alimentação (0,48%), artigos do lar (0,47%) e comunicação (0,28%). No acumulado de 12 meses, porém, as classes de menor renda seguem enfrentando inflação mais elevada: a classe E acumula alta de 5,4%, ao passo que a classe D, de 5,32% — ante 4,75% da classe A e 4,52% da classe B.

Índice de Preços do Varejo (IPV)
Em abril, o IPV apontou alta de 0,68%, acumulando avanço de 2,88% no ano e de 3,29% em 12 meses. Entre os oito grupos que compõem o indicador, dois encerraram o quarto mês do ano com variações negativas: habitação (-0,13%) e educação (-0,03%).
Quando se avalia o IPV por estratos de renda, observa-se que as classes menos abastadas percebem de forma mais intensa o aumento nos preços dos produtos em comparação com as famílias de maior poder aquisitivo. Para as classes D e E, as variações mensais foram de 0,84% e 0,80%, respectivamente. Já para as classes A e B, os avanços foram mais moderados, de 0,54% e 0,55%.

Quando se observa o IPS por estratos de renda, nota-se que as classes de maior poder aquisitivo sentiram de forma mais intensa o aumento nos preços dos serviços. Para as classes A e B, as variações mensais foram de 0,38% e 0,31%, respectivamente. Já para as classes D e E, os índices registraram retração de -0,12% e -0,10%.
Nota metodológica
CVCS
O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.